2 de ago de 2009

O maior dos crimes da ditadura militar

          Estava lendo e estudando o livro “A Nova Ciência das guerreiro ramosOrganizações”, de Alberto Guerreiro Ramos, reconhecidamente um dos mais brilhantes cientistas sociais que o mundo já teve. Guerreiro Ramos era brasileiro e foi deputado federal na década de 60, mas teve seu mandato cassado logo após o golpe militar em abril de 1964. Teve de se exilar nos EUA. O livro que citei, aliás, foi publicado originalmente em inglês. O brilhantismo da sua obra pode ser consultada por cada um a que interessar, e de veras recomendo fortemente aos estudantes de Economia, Administração e Sociologia. Por hora, o que quero ressaltar aqui é justamente o grave crime contra a pátria praticado pelos golpistas de 64, ao eximir do país homens do porte de Guerreiro Ramos que foram os maiores intelectuais que o país já teve, como por exemplo Darcy Ribeiro e Celso Furtado,Celso_Furtado este último até hoje é considerado nada menos que o maior economista brasileiro de todos os tempos. Os três primeiros atos institucionais do regime ditatorial e,  posteriormente, a operação Condor, simplismente acabaram com todos os que poderiam ter dado ao Brasil e seu povo a chance de terem um destino próprio, de superar seus males. O que restou no Brasil, em termos de política, foram mesquinhos nojentos corruptos. Os que realmente estavam preocupados em pensar o Brasil, em encontrar soluções para seus problemas e, o que é mais importante, comprometidos de fato com essas causas, foram obrigados a renunciar, o que imagino que para esses tenha sido algo muito semelhante a renunciar a sua própria vida. Se hoje no Brasil reina a corrupção e tudo mais de pobre que há, não tenha dúvida que os 25 anos de ditadura foi, não uma das causas, mas a causa disso. Não houve bons governos durante a ditadura porque isso seria impossível em tal meio corrompido, por tal tivemos apenas governos relativamente bons, como o do General Geisel que foi bom apenas se comparado aos outros governos do mesmo regime, mas não pôde ser bom na sua plenitude exatamente pelas causas que já apontei.

          Na década de 80 muitos daqueles poucos que sobreviveram puderam voltar ao país com a lei de Anistia, como Leonel Brizola. Infelizmente, uma maçã saudável não consegue melhorar muito um cesto cheio de maçãs pobres. A esperança é que com o decorrer do tempo, as bases corruptas herdadas do regime militar caiam aos poucos até que possamos ter um novo estado de coisas na política nacional. Infelizmente por vezes atrasamos esse processo de limpeza política ao eleger aqueles que estiveram na base de apoio à ditadura como o ex-presidente Fernado Collor ou aqueles que se cooligaram com os mesmos como Fernando Henrique Cardoso, e não fosse o bastante, quando assume aqueles que imagnávamos que pudessem fazer alguma coisa, nos decepcionam. Me agoniza a lentidão desse processo de renovação. Quanto tempo darcy-ribeiroteremos que esperar para ter novamente grandes personalidades como Darcy Ribeiro, Guerreiro Ramos e Celso Furtado esboçando verdadeiras políticas de desenvolvimento para o país? Por isso entendo hoje que o maior de todos os crimes da ditadura militar, mais que a repressão, mais que as torturas, mais que o endividamento do país, mais que qualquer outro, foi exatamente tirar de nós aquele que certamente teria sido o mais espetacular momento da nossa história, convertendo-o no mais trágico.

Um comentário:

OTONIEL AJALA DOURADO disse...

SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ: UM CRIME MILITAR AINDA IMPUNE



No CEARÁ, para quem não sabe, houve também um crime idêntico ao do “Araguaia”, contudo em piores proporções, foi o MASSACRE praticado por forças do Exército e da Polícia Militar do Ceará no ano de 1937, contra a comunidade de camponeses católicos do Sítio da Santa Cruz do Deserto ou Sítio Caldeirão, que tinha como líder religioso o beato JOSÉ LOURENÇO, seguidor do padre Cícero Romão Batista.


A ação criminosa deu-se inicialmente através de bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como feras enlouquecidas, como se ao mesmo tempo, fossem juízes e algozes.



Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará foi de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO / CRIME CONTRA A HUMANIDADE é considerado IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira bem como pelos Acordos e Convenções internacionais, e por isso a SOS - DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - Ceará, ajuizou no ano de 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que sejam obrigados a informar a localização exata da COVA COLETIVA onde esconderam os corpos dos camponeses católicos assassinados na ação militar de 1937.



Vale lembrar que a Universidade Regional do Cariri – URCA, se quiser poderá utilizar sua tecnologia avançada e pessoal qualificado, para, através da Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa – PRPGP, do Grupo de Pesquisa Chapada do Araripe – GPCA e do Laboratório de Pesquisa Paleontológica – LPPU encontrar a cova coletiva, uma vez que pelas informações populares, ela estaria situada em algum lugar da MATA DOS CAVALOS, em cima da Serra do Araripe.



Frisa-se também que a Universidade Federal do Ceará – UFC, no início de 2009 enviou pessoal para auxiliar nas buscas dos restos dos corpos dos guerrilheiros mortos no ARAGUAIA, esquecendo-se de procurar na CHAPADA DO ARRARIPE, interior do Ceará, uma COVA COM 1000 camponeses.



Então qual seria a razão para as autoridades não procurarem a COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO? Descaso ou discriminação por serem “meros nordestinos católicos”?



Diante disto aproveitamos a oportunidade para pedir o apoio de todos os cidadãos de bem nessa luta, no sentido de divulgar o CRIME PERMANENTE praticado contra os habitantes do SÍTIO CALDEIRÃO, bem como, o direito das vítimas serem encontradas e enterradas com dignidade, para que não fiquem para sempre esquecidas em alguma cova coletiva na CHAPADA DO ARARIPE.


Dr. OTONIEL AJALA DOURADO
OAB/CE 9288 – (85) 8613.1197
Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
www.sosdireitoshumanos.org.br