31 de mai de 2009

Por que Florianópolis não será sede

prais floripa           Nenhuma cidade no Brasil poderia ser tão benefiada por sediar um jogo da Copa do Mundo quanto Florianópolis. É a cidade com o maior potencial turístico inexplorado do país, onde ao mesmo tempo sobra exuberância natural e faltam turistas, falta infra-estrutura, falta capital para investir. A Copa do Mundo funcionaria como uma publicidade eficaz e, sobretudo, barata – mostrar-se-ia ao mundo, aos turistas e aos investidores todo seu potencial adormecido. O investimento para construção de um Estádio adequado, pontes, túneis, aeroporto, porto turístico, metrô, hoteis, resorts, parques, reforma urbana, etc., todo esse investimento compensaria com muito lucro para a cidade como em nenhum outro lugar desse país.

          Infelizmente, a idiotice administrativa falou mais alto. Preocupados com as próximas eleições, não investiram de forma adequada nos projetos, não houve planejamento. Não sei se “dormiram no ponto” seria a expressão mais adequada, ou seria “prevaleceram interesses alheios aos do povo” – fico mais com essa última. Hoje tivemos a prova de que quando não há vontade política, perde-se oportunidades e quem perde, é sempre o povo.

          O turismo é a principal atividade econômica atualmente. O turismo gera emprego, distribuição de renda, aumento de salários, enfim, era uma oportunidade única na história que foi ignorada pelos maus administradores públicos.  Florianópolis teve a chance de atrair investimento como nunca – essas oportunidades não voltam mais.

          Muitos podem pensar que por ser mais pequena que suas concorrentes, talvez fosse mais difícil para Florianópolis conseguir a indicação da Fifa. A essa idéia obsoleta, respondo que há experiências históricas que porvam o contrário: para a Copa na Alemanha em 2006, a pequena Kaiserslautern, com cerca de 100 mil habitantes, venceu a disputa com grandes cidades como Baden-Baden e Dresden.

          Florianópolis demorou muito para começar a se preparar, e apresentou projetos ruins, feitos em cima do laço, como um horrível metrô de superfície e um porto turístico em outra cidade e sem acesso. A maioria dos hotéis estão na Ilha, enquanto o estádio seria construído no continente, tudo certo não fosse a evidência de que só há uma ponte de acesso à Ilha que vive congestionada. O aeroporto seria ampliado, porém sua ampliação sequer atingiria capacidade para suprir a demanda atual, quem dirá em 2014. Nada foi pensado no sentido de melhorar a mobilidade urbana, nem de melhorar o fornecimento de água e esgoto, que é péssimo. A única obra adequada foi feita pelo governo federal: uma substação energética para evitar novos apagões na Ilha como o de 2003. Nem passou pela cabeça dos organizadores um plano para recuperar os balneários, construir novos resorts, parques aquáticos ou coisas do gênero, o que, embora não contasse para a avaliação da Fifa, seriam obras cruciais para aproveitar melhor a demanda turística após o evento.

          Há alguns séculos um tal de Bernard de Mandeville disse que todos os vícios privados geram benefícios públicos. Hoje pudemos ver que essa afirmação merece alguma limitação. O vício privado da aplicação do capital onde é mais vantajoso, onde poderia-se auferir ganhos como no financiamento de projetos turísticos em Florianópolis, certamente geraria benefícios para a cidade. Mas, o vício privado de sacrificar a sociedade para continuar no poder, garantindo assim a continuidade dos seus privilégios e dos seus cartórios, isso sim não pode de forma alguma gerar benefícios públicos, pelo contrário. Dizem que os estadistas pensam no futuro da nação, mas um simples político pensa na próxima eleição – percebo agora por qual dessas duas classes estamos sendo governados.

3 comentários:

Anônimo disse...

o povo de Floripa eh escroto...nao mereceu mesmo!!! chupa

Anônimo disse...

O que vc escreveu não tem fundamento nennhum.

Anônimo disse...

Foi uma vergonha! sempre considerada uma cidade modelo??? o mundo esta evoluindo!