19 de nov de 2008

O Brasil suportaria mais 8 anos de FHC?

O artigo que você vai ler a seguir não é uma publicação nossa. O blog Economia Política Brasileira entendeu ser de grande importância a vinculação do mais recente artigo de Emir Sader, também publicado pelo site “Vermelho”, pela “Agência Carta Maior” e pelo blog “Conversa Afiada” do Paulo H. Amorim. Acompanhe:

          O que seria do Brasil se Serra tivesse sido eleito, para dar continuidade ao governo FHC? Como o Brasil teria sofrido a crise atual, caso as orientações do bloco tucano-pefelista tivessem prevalecido?

          A aliança tucano-pefelista assumiu o governo em 1994, com FHC, prometendo que a estabilização monetária resolveria todos os grandes problemas do Brasil: inflação, divida pública, estagnação econômica, atraso na modernização do país, desemprego, poder aquisitivo dos salários, etc. etc. Era um bloco novo no Brasil, em que um partido que se dizia social-democrata, formava uma coalizão com um partido originário da ditadura (cuja mudança, novamente, de nome, não permite disfarçar sua origem, de que seus caciques são testemunhas: Borhnausen, ACM, Marco Maciel, Garibaldi Alves e outros que o dirigem atualmente), para aplicar o programa do FMI, do Banco Mundial e da OMC, que já estava sendo aplicado por Menem na Argentina, pelo PRI no México, por Carlos Andrés Perez na Venezuela, entre outros.

           FHC reelegeu-se, quatro anos depois, com toda a urgência, porque o Brasil estava de novo quebrado nas mãos de sua equipe econômica, Pedro Malan negociava uma nova Carta de Intenções com o FMI – a terceira, em menos de quatro anos, na terceira quebra do país -, pelo que era necessário serra_fhcganhar no primeiro turno, para impedir que o povo soubesse o que saberia poucas semanas depois: a nova falência, a nova Carta, as falcatruas do Banco Central – no caso Marka-Fonte Sindam, pelo qual vários dos diretores daquele Banco estão condenados – e a elevação da taxa de juros a 49% (sic). Tudo feito com todo o apoio da grande imprensa privada – FSP, Veja, Estadão, O Globo. O Brasil foi jogado numa recessão, da qual só saiu recentemente, com profundas feridas daquela política regressiva e anti-popular.

          A quebra por três vezes do país foi conseqüência da política econômica de FHC, apoiada por todos os organismos internacionais, por 3/5 do Congresso – incluído o PMDB, o PPS, o PV, o PP, o PTB – e da grande mídia. O candidato que dizia que “o Estado brasileiro gasta muito e gasta mal”, fez a mágica de transformar a inflação em dívida pública, multiplicando-a por mais de 10 vezes, levando o Estado brasileiro à falência.

          Privatizou todo o patrimônio público que conseguiu – da Vale do Rio Doce, empresa líder do seu setor no mundo, vendida a preço que permitiu pagar dois meses da dívida pública, a preço de banana, às telecomunicações, entre tantas empresas -, chegou a fazer com que a Petrobras mudasse de nome para Petrobrax – por 24 horas, teve que retroceder diante da indignação pública -, para tirar-lhe a referência a Brasil, torna-la “empresa global” e favorecer sua privatização, iniciada com a venda de ações da empresa nas Bolsas de São Paulo e de Nova York, depois da quebra do monopólio estatal do petróleo.

          O governo tucano-pefelista de FHC promoveu o mais acelerado processo de concentração de renda que o Brasil conheceu em um breve espaço de tempo – de que a transferência de patrimônio publico a mãos privadas foi uma parte essencial – e FHC saiu do governo com a mais baixa avaliação que um presidente havia tido (quando Lula têm 80% de apoio, no seu sexto ano de governo, FHC tinha apenas 18%, quase cinco vezes menos), considerado o “candidato dos ricos”, a quem favoreceu como nunca havia acontecido no Brasil.

          O que seria do Brasil se Serra tivesse sido eleito, para dar continuidade ao governo FHC? Como o Brasil teria sofrido a crise atual, caso as orientações do bloco tucano-pefelista tivessem prevalecido?

Obs: Sader promete responder a essas perguntas em outro artigo.

2 comentários:

Joao Melo disse...

Josué, recebi suas indicações e como é bom saber que somente não muda quem está morto rsrsrs. De qualquer maneira, logo que eu tenha um tempo mais livre, vou tentar "convencer" você das minhas idéias. Um grande abraço, João Melo, direto da selva

andre_abdala disse...

Teria sido um desastre para o país. Apesar de, o atual governo ter tomado algumas medidas ortodoxas, o país nunca prosperou tanto em harmonia com os diversos setores econômicos e sociais.
Nos últimos 6 anos não assistimos uma onda de privatizações como na era FHC, embora algumas pouquíssimas tenham sido boas, como as telecomunicações que, no entanto, fortaleceram os “Dantas da vida”, representaram um verdadeiro ataque a soberania nacional. Foram 76% das empresas públicas privatizadas nos 8 anos de FHC, além disso, geraram menos de um milhão de empregos formais nesse período (só nesse ano serão gerados em torno de 2 milhões de empregos de carteira assinada, assim, com foi no último ano), com isso, fortaleceram a informalidade e a miséria. Quanto aumentou o salário mínimo nesses 8 anos? E quanto está agora? Quanto se investiu em saneamento básico? E quanto se investiu agora? Por que não criaram na Vale do Rio Doce uma sociedade de economia mista como fizeram com a PETROBRÁS e o Banco do Brasil?
Embora, os banqueiros estejam lucrando cifras astronômicas, o nosso sistema bancário está sólido diante da atual crise econômica, a nossa economia está fortalecida e nunca tivemos, ao menos nos últimos 20 anos, tanto volume de crédito, e com juros reduzidos. Algo facilitou um nascimento grande de micro e pequenas empresas, muitos financiamentos habitacionais para as classes baixa e média com melhores condições de pagamento e o consumo em geral. Isso sem aborda muito que nos últimos 6 anos 20 milhões de pessoas saíram de baixo da linha da miséria.
Não creio que a volta dos liberais seja boa. A atual contenda entre Aécio e Serra está sendo ótimo para mantê-los na vitrine. E Serra certamente será o candidato tucano. Será a tentativa de continuidade (interrompida pelo governo Lula) de FHC...