6 de out de 2008

Uma reação do Brasil

           Contra a falta de dinheiro no mercado causada pela crise financeira nos Estados Unidos, o governo vai utilizar parte do dinheiro das reservas internacionais para garantir crédito em dólares para os exportadores brasileiros. A medida vai funcionar como um empréstimo em dólares. O BC irá comprar títulos dos bancos no exterior, que serão pagos com o Guido Mantega e Henrique Meirellesdinheiro das reservas. Haverá, no entanto, um contrato de recompra dos mesmos dólares. Esse mecanismo vai funcionar, assim, como um empréstimo de moeda norte-americana. Não há detalhes sobre o volume monetário, mas os dois chefões da economia brasileira garantem que haverá crédito suficiente, porque, segundo Meirelles, esse é um "uso inteligente das reservas internacionais do Brasil", já que os dólares não serão vendidos, mas emprestados aos bancos. Dessa forma, será possível manter o nível atual das reservas internacionais, que superam os US$ 200 bilhões. "Vamos disponibilizar parte de reservas para banco brasileiros que vão financiar o comércio exterior. É só uma mudança de aplicação", definiu o ministro Guido. Segundo ele, o dinheiro será tirado de um banco internacional e colocado em um banco brasileiro, o que manterá o no nível das reservas e, ao mesmo tempo, "irrigará o sistema bancário".

          Outra medida é o aumento da linha de financiamento pré-embarque do BNDES, que terá mais US$ 2,5 bilhões. Os recursos vão sair do caixa do governo. Essa linha financia a produção do bem que vai ser exportado. Para 2008, o BNDES tinha no orçamento US$ 5 bilhões, dos quais já haviam sido gastos US$ 3,4 bilhões até agosto.

          E ainda, os dois “convenceram” o presidente Lula a assinar uma Medida Provisória que garantirá maior autonomia e facilidades para o Banco Central (sob a vigia do CMN, claro) agir no redesconto banos dedos de lula cário. Uma política que já existe há algum tempo, porém funcionava mais para um curto prazo, somente para dar maior liquidez imediata aos bancos. Agora, o BC poderá comprar carteiras de clientes dos bancos também para evitar crises, ou seja, se for preciso, e houver disponibilidade de dinheiro, o BC poderá agir da mesma maneira que os bancos centrais dos países ricos, comprando títulos podres para evitar falta de crédito ou mesmo falência de bancos nacionais – poderá evitar (se prestar atenção no que está acontecendo no mercado) crises como a que paira nas nações centrais.

          São boas medidas, que representam uma reação brasileira diante da crise mundial e aperfeiçoa nossos mecanismos para agir contra possíveis drásticas consequências dessa crise. A interferência do governo na Economia, além de aliviar um pouco as preocupações dentro dos setores da sociedade, como a indústria e os bancos, reduzindo os riscos e dificuldades para a concessão de crédito tanto no mercado interno como para as exportações (só falta reduzirem os juros) garante também uma maior integridade do país frente aos efeitos desse início de recessão nos países do norte desenvolvido – o que até o momento tem representado uma fuga de Dólares do mercado financeiro brasileiro e uma certa indisponibilidade de financiamento das nossas empresas junto a credores estrangeiros, e no médio prazo poderá reduzir a demanda para os bens, serviços e produtos primários do Brasil nestes países que representam diretamente 40% das nossas exportações (25% Europa e 15% E.U.A.), e também poderá influenciar negativamente nas exportações brasileiras a outros países que dependem do comércio com os países ricos para terem liquidez corrente (como o México que manda 80% das suas exportações para os E.U.A.).

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