1 de out de 2008

Brasil Competitivo

Essa expressão já nos é conhecida. Trata-se da famosa ONG encabeçada por um dos barões da indústria brasileira, Jorge Guerdau Johannpeter. Ao que tudo indica, Jorge e sua ONG têm um trabalho árduo e complicado pela frente: de que maneira agir para tornar o Brasil um país mais competitivo, seja para competir no mercado exterior, seja para competir com estrangeiros no mercado interno.

Segundo o IC-Fiesp (Índice de Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgado nesta quarta-feira, nosso país fica na 38º colocação entre 43 países que detêm 90% do PIB mundial. Os dados apresentados são referentes a 2006, mas a Fiesp atenta que 2-noodle-production-linedesde 1997 o Brasil se mantém estável neste patamar. Em pior situação, segundo o levantamento, estão apenas Índia, Colômbia, Filipinas, Turquia e Indonésia. No topo do ranking aparece os Estados Unidos, com nota 91, seguido por Noruega (76,9), Japão (75,3) e Suécia (74,9). Claro que se fôssemos avaliar somente o valor final do que é produzido, a China estaria encabeçando a lista, mas também contam para o índice, aspectos como IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), tecnologia e facilidades em financiamento e abertura de empresa.

Embora o Brasil apresente diversos fatores que pesem na falta de competitividade, há um que possivelmente seja o principal: o Estado brasileiro parace ver a indústria como um mal a ser combatido, como se a sua existência fosse a razão dos nossos problemas, como se a indústria fosse dotada de um poderio natural que lhe seja capaz superar todos os obstáculos impostos por um governo que deveria estar estabelecendo, invés de obstáculos, facilidades.

Quem dera fosse, para o Brasil, alta carga tributária o único problema, e talvez seja esse o menor dos nossos problemas. Quem dera tivéssemos até impostos mais elevados, mas com menos burocracia para pagá-los. Quem dera houvessem maiores salários e regulamentações trabalhistas, mas que ao menos se houvesse maior facilidade e flexibilidade ao se contratar um funcionário. Falar em reforma pode parecer papagaiagem, mas já é necessário e urgente que elas aconteçam e nem precisam (talvez nem possam) ocasionar perdas de arrecadação ou perdas de direitos trabalhistas, mas essas reformas têm que ter como prioridade a desburocratização do sistema e acabar com a informalidade, além claro, de tornarem-se fomentoras de desenvolvimento e da instalação de indústrias por toda nação. Uma maneira muito fácil de ganhar competitividade, é aumentar as alíquotas de importação, e com essa arrecadação extra, diminuir os impostos das indústrias nacionais, isso evita queda de receita para o governo e tem um efeito fantástico para a promoção da indústria nacional.

Outros pontos cruciais para darmos largos passos rumo ao cume dessa lista, é manter o Dólar um pouco mais valorizado, o que beneficiaria as exportações, e Juros baixos, tornando não só o crédito mais acessível às indústrais, mas principalmente, permitindo que o capital financeiro estrangeiro não se desvie tão somente às aplicações em títulos públicos e sim também aos projetos industriais.

Além, é claro, de muito investimento em educação, pesquisa, tecnologia e bem-estar social – de forma que este último, tornaria o trabalhador brasileiro um tanto mais eficiente, já que se lhe estará dando melhores condições de vida, saúde e alimentação, algo que certamente falta à grande maioria dos trabalhadores atualmente.

Ou seja, não se trata apenas de reformas, tampouco se trata de diminuir a intervenção do governo na economia, ou de abrir mão de arrecadação pública, ou de jogar os trabalhadores ao “Deus dará”. Na verdade hoje, o principal problema do Brasil é de não ter um grande projeto de desenvolvimento, um projeto objetivo e paulatino, projeto esse, que precisa incluir reformas estruturais e políticas, investimento em educação e tecnologia, forte política industrial e melhoria das condições gerais de vida da população. Essa deve ser a nossa grande jogada. O Brasil pode mais.

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