1 de set de 2008

Ritmo da construção preocupa indústria

A festejada retomada da construção civil -a mais forte e duradoura dos últimos 25 anos- começa a dar lugar a uma preocupação na indústria de material de construção. A demanda pode ocupar rapidamente a capacidade ainda disponível e seguir mais veloz do que o tempo necessário para expansões. A associação dos fabricantes de material de construção estima em 85% a ocupação atual, e diz que não suportará por muito tempo o crecimento da demanda no ritmo atual.
Mas eu vos digo: em qualquer lugar do mundo é possível ampliar a produção a uma velocidade maior que a demanda, simplesmente porque a indústria estabelecida já possui todo conhecimento técnico sobre o que faz. Basta ter dinheiro. Para construir um novo pavilhão, e colocar máquinário, não levaria mais que alguns meses. Pelo Brasil há diversos municípios que doam terreno e até isentam de IPTU por 20 anos ou mais, têm infra-estrutura, bons profissionais e adorariam receber uma indústria de tal porte em suas divisas. Não sei se a culpa maior é do governo, que não oferece crédito mais barato - e mais rápido, é bom que se diga - ou se é da própria indústria que se acomoda num bom momento; alguns industriais devem estar felizes até, afinal o preço vai subir, é a velha "lei" da oferta e da demanda, dizem.
Mas isso pode acarretar em algo muito perigoso: faltando material de construção, tendo-se então um preço relativamente alto, fica economicamente viável importar de outro país - inclusive o governo possivelmente deverá reduzir as alíquotas, como fez com o trigo, visando o controle da inflação - esse produto importado então, gradativamente ganhará espaço no mercado, caindo de preço ao passo em que ganha escala comercial, mais empresas começam a importar e se reduz a especulação momentânea. Não bastando isso, passado essa escassez de produção, a indústria nacional terá um novo grande concorrente, que por ser mais barato, acabará por, aos poucos, arruinar a produção dessa indústria brasileira. Não me surpreenderia se daqui a cinco anos eu tiver que postar um texto intitulado "Indústria da construção civil passa por maior crise da história".
Ou seja, quem não faz, vê ser feito.

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