8 de set de 2008

Brasil ainda não alcançou desenvolvimento sustentável

O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira afirmou hoje que o Brasil ainda não alcançou um crescimento sustentado. Motivo: juros altos e taxa de câmbio pouco competitiva. Segundo ele, apesar de a maioria das pessoas no governo serem desenvolvimentistas, ou seja, defenderem uma participação marginal do Estado na economia, procurando desenvolver a nação, o Banco Central age de forma errada. "O Brasil ainda não alcançou o crescimento sustentado. Estamos em uma armadilha de juros altos e taxa de câmbio baixa", afirmou o ex-ministro durante o seminário das comemorações dos 200 anos do Ministério da Fazenda. Para o ex-ministro uma taxa de câmbio competitiva estaria entre R$ 2,30 e R$ 2,50.
Isso é óbvio, juros baixos e Dolar valorizado, funcionam como um super aditivo de potência para o Brasil se desenvolver de forma sustentável. Tomamos como base, que desenvolvimento sustentável, é o estabelecimento de forças produtivas nacionais através da industrialização. Como sempre digo, basta observarmos a relação proporcional entre anos em que o Brasil cresce mais e o preço dos produtos primários; essa onda de crescimento, em plena concordância com o ex-ministro, NÃO É SUSTENTÁVEL, ela acontece porque há uma maior injeção de dinheiro externo graças aos altos preços dos minérios, dos produtos agrícolas e agora, do Petróleo; com isso, há mais dinheiro para o crédito público, e aí, conseqüentemente aquece o consumo e o PIB cresce; entretanto, tão logo se veja uma crise internacional que ocasione queda nos preços destes produtos primários, veremos novamente a estagnação econômica no Brasil.
A base do problema é simples: nossa industrialização é tão modesta, que não é capaz de sustentar nenhuma onda de crescimento por um longo prazo. Quando se fala em Dólar valorizado, vale lembrar que ele funciona melhor do que qualquer imposto de importação para a indústria nacional, deixamos de importar para fabricar aqui dentro, afinal é mais barato; dessa forma, conseguimos criar indústrias nacionais, que obiamente criam diversos empregos, e toda renda usada na compra de bens de consumo, ficam no país, criando mais empregos, que gera mais renda ainda, isso é o que podemos chamar de crescimento sustentado, ele não é artificial, pelo contrário, é exuberantemente real, ele acontece pela própria força da nação. E ao falar em juros baixos, estamos falando em dar condições para que essas indústrias nascentes se estabeleçam, pois aí evitamos que o câmbio valorizado, acabe inflacionando os preços ao invés de gerar desenvolvimento. Vejam o que disse ainda Besser Pereira: "quando a desaceleração da economia chegar à China, haverá uma desaceleração mais forte nos preços dos produtos básicos, itens de peso das exportações brasileiras. A crise vai atingir a China e também a nós".
O crescimento real só acontece quando conseguimos substituir as importações por produção nacional, foi assim em todos os países que hoje são ricos, os E.U.A talvez sejam o melhor exemplo. Até quando ficaremos exportando soja e minério de ferro, e dizendo que isso é um "momento mágico"?

9 comentários:

Cleiton disse...

Josué, interessante sua postagem. De fato, a vulnerabilidade externa estrutural da economia brasilira existe, o clico ascendente da economia internacional não será permanente, a crise dos subprimes certamente atingirá o Brasil de maneira mais forte, tanto pelo lado comercial quanto pelo lado financeiro do BP. As altas taxas de juros ao passo que inibe o investimento produtivo favorece os rentistas (bancos e demais detentores dos títulos da dívida mobiliária pública), fazendo com que o crescimento sustentado não seja alcançado. Quais as possíveis alternativas ao modelo de política econômica vigente?

Josué Jonas de Lima disse...

Caro Cleiton,
Só existe uma alternativa possível, é o protecionismo. Sei que de cara essa palavra gera uma certa aversão de nossa parte, mas se formos analisar profundamente o tema, veremos que é a única forma de o Brasil alcançar um desenvolvimento sustentável. O modelo que eu proponho é aumentar bastante as taxas alfandegárias de importação, e com essa arrecadação extra, diminuir os impostos das indústrias nacionais. Dessa forma, o consumidor não será afetado, mas a indústria nacional ganha fôlego, afinal, poderemos produzir aqui no Brasil muito do que atualmente importamos (como eletrodomésticos etc.). Quando passamos a produzir aqui, acabamos por gerar investimento, emprego e renda. E isso é crescimento sustentável, afinal, deixamos de depender tanto da economia mundial e passamos a gerar crescimento a partir de nossas próprias forças. Espero ter respondido sua pergunta e estou aberto a mais solicitações. Obrigado por participar.

PET - Economia UEFS disse...

Caro Josué, depois de substituirmos as importações de eletrodomésticos vai haver um golpe de estado comandado pelos militares, que primeiro sanarão os crescentes rombos fiscais e depois promoverão uma era de bonança que durará algo em torno de seis anos, quando estará no poder um general grisalho de nome estranho que usa de vez em quando a camisa 10 que Pelé lhe deu antes de ir pro México. Brincadeira...
O movimento que você sugere já aconteceu e responde pela categoria histórica de Processo de Substituição de Importações e pode ser visto a partir de alguns clássicos da economia nacional, como o livro chamado "Da substituição de importações ao capitalismo financeiro", da Maria da Conceição Tavares e do José Serra, "Ciclo Ideológico do Desenvolvimentismo", do Prof. Ricardo Bielchowisk. Livros que mostram muito da nossa esperiência com o modelo de desenvolvimento pautado na expansão da demanda interna por substituição de importações. O interessante é que seu raciocínio, apesar de simples, é bem estruturado, mas nossa economia já é bem mais complexa que nos anos 1950 e a disposição das forças políticas já não favorece um projeto de desenvolvimento tão autônomo, mas de qualquer forma, se continuar com este espírito crítico, podemos esperar um bom economista heterodoxo de esquerda saindo do forno já já. Abraços e continue estudando.

Anônimo disse...

A historinha que o Brasil cresce pouco porque o juro é alto e o câmbio é apreciado é bobagem. Se isto fosse verdade qualquer país poderia crescer muito rápido quando quisesse (o argumento de que "rentistas" não deixam é de um ridículo atroz: imagine o que conseguiria um político que fizesse o país crescer 10% aa; certamente ele não daria a mínima para o que os "rentistas" pensam). O simples fato de que certos países crescem muito e outros pouco quando um remédio tão conveniente está a mão já deveria deixar qualquer um desconfiado.


Mesmo com o juro real elevado a demanda doméstica tem crescido aceleradamente (investimento, por exemplo, cresce a 15% nos últimos 4 trimestres, o que não é pouco, e o consumo a quase 7%), ao mesmo tempo em que vemos sinais de estresse do lado da oferta. Certamente não temos problema para acelerar a demanda. Por outro lado, a estratégia de baixar a taxa de juros para "aumentar a oferta via investimento" acaba de ser testada e falhou fragorosamente, mesmo com o investimento crescendo bem à frente do PIB.
Desde 2002 o câmbio só aprecia e as exportações só sobem. É verdade que preços subiram (aliás, é principalmente por isto que o câmbio aprecia), mas mesmo o crescimento das quantidades (manufaturados inclusive) tem sido bem mais rápido que nos anos anteriores. De qualquer forma, seja por preço, seja por quantidade, as exportações brasileiras mais que triplicaram nos últimos 5-6 anos. Como alguém pode alegar que a falta de dinamismo das exportações está prejudicando o crescimento?


Se o o governi aumentar o protecionismo ( as importações deverão cair, certo? Com importações menores e saldo maior na balança você acha que o câmbio se aprecia mais, ou se deprecia?

Você defende juros mais baixos, o que sugere que juro mais baixo aumenta as importações pelo canal de demanda doméstica mais acelerada, que aumentaria as importações.

Deve ser por este motivo que as exportações brasilerias estão crescendo a bagatela de 26% no ano e acelerando consistentemente (nos últimos três meses o crescimento tem ficado na casa de 40%, uma taxa bastante modesta).

Insisto para que você cheque os dados antes de proferir as bobagens. Fica melhor para você.As exportações industriais cresceram 14% no primeiro semestre, menos que as primárias, mas 14% é bem mais que o crescimento do comércio mundial no período.

Nos últimos 12 mese as exportações de material de transporte (carros, aviões) cresceram 23% e as têxteis 16% (está no site do MDIC).



Meu jovem argumente melhor antes de proferir cretinices.

Anônimo disse...

correção governo.

Josué Jonas de Lima disse...

Caro Sr. Anônimo,
Você deveria estudar mais história.
Veja este link e leia onde fala sobre protecionismo histórico dos E.U.A. é um texto bem breve, só para ter uma idéia de como eles se tornaram o país mais rico do mundo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Protecionismo

PET - Economia UEFS disse...

Nunca é demais dizer que divergência de idéias não permite à priori que se cometa qualquer tipo de aspereza, como o Mr. Anônimo cometeu. É lamentável que embate de idéias ainda seja sinônimo de estupidez para alguns. Sobre as idéias em si, peço que o Anônimo se identifique, pois não acredito em fantasmas, nem debato em tão baixo nível com eles também. Quanto a Josué, acho que você deveria se embasar em fontes mais seguras, mais rigorosas man. Wikipédia não faz parte desta categorização, há um livro de um coreano que trata exatamente deste argumento que você menciona de alguma forma, se chama "Chutando a Escada", mostra como os EUA conseguiram galgar a posição de polo dinâmico da economia capitalista, desde a época em que ainda era um país subdesenvolvido, até agora, quando tenta privar os países em desenvolvimento de agir em benefício próprio como vc sugere. Aí vai meu conselho... Mais rigor nas referências e cuidado com as falas, os extremos geralmente são muito escorregadios para nos prover segurança em alguns níveis de tratamento teórico.
Abraços e continue com o Blog, a idéia é muito legal.

luciano disse...

Luciano Oliveira:

o senhor anonimo não esta de todo errado... porem se fosse em uma outra conjuntura. Nós ainda seguimos as receitas dos manuais escritos por economistas que, não intencionalmente são parciais e que tem sua teorias viezadas pelo momento social e pela conjuntura economica que estão vivendo, foi assim com Smith, com Ricardo, Keynes, contudo as suas teorias não são insipintes ou atrazadas, e claro que releituras podem ser feitas, e são.
E ainda assim tentamos seguir receitas prontas. ClARO QUE NÃO ESTOU DIZENDO PARA INVENTARMOS A RODA. Mas como o Pet disse a critica é o primeiro passo!
Cleiton tem razão ao citar o caso dos rentista no Brasil como um ponto de estrangulamento. Em um artigo de uma graduando da UEFS ele faz um regressão correlacionando o crescimento da econmia brasileira e o crescimento da B.V. e o resultado já era esperado a um descolamento entre o setor industrial e o setor financeiro no que diz respeito a este crescimento chegando a uma didferença de até 5 pontos percentuais entre o nivel de crescimento destes dois setores.

mas... vamos ver o que os manuais dizem sosbre isso.

Josué Jonas de Lima disse...

PET,
Só usei a referência da Wikipédia porque ela dá uma síntese rápida da realidade. Mas com certeza o livro de Ha-Joon Chang "Chutando a Escada" e o outro mais recente "Maus Samaritanos" são fontes fantásticas para entender esse processo histórico da industrialização e manutenção do poderio industrial dos países ricos. Porém mais importante ainda são as fontes que o próprio governo dos E.U.A. utilizaram para criar o seu sistema de fomento às indústrias, o chamado "Sistema Americano de Economia", foram as seguintes obras: "Relatório sobre as Manufaturas", que não chega a ser um livro, mas sim um relatório enviado ao congresso estadunidense pelo primeiro Secretário do Tesouro, Alexander Hamilton; também se basearam na obra de Georg Friedrich List "Sistema Nacional de Economia Política" essa vale a pena ler, ela explica detalhadamente como fazer funcionar um sistema protecionista; e ainda "Harmonia de Interesses" do Senador americano Henry C. Carey.