19 de set de 2008

À beira do colapso III

Alívio geral, as bolsas voltaram a subir, o governo estadunidense já salvou a economia, os acionistas da AIG resolveram pagar o dinheiro emprestado e tudo voltará ao normal, a crise acabou.
Engana-se quem pensa assim. Hoje a Bovespa subiu quase 10%, algo próximo das bolsas européias, foi uma euforia total, nem parecia que estamos em meio a uma das piores crises do capitalismo. Pois bem, agora a pouco, cerca de nove da noite (19/09/08) acaba de ser fechado, por falência, o 12º banco americano desta crise, o Ameribank.
A matéria da Folha de hoje pode bem exemplificar o que se passa em Wall Street: "bares e restaurantes locais, geralmente lotados de investidores e corretores da Bolsa, estão às moscas e relatam queda de até 50% na freqüência. O temor é de uma reação em cadeia: estimativas estaduais dão conta de que cada emprego em Wall Street cria três outros na região metropolitana de Nova York. Só neste ano, Wall Street cortou 25 mil postos de trabalho; outros 10 mil estão na berlinda com o colapso do Lehman Brothers e a venda apressada do Merrill Lynch. Garçons locais relatam sobre a situação dos clientes: "Chegam carregando caixas com o material do escritório e ficam bebendo até a hora de fechar. Muitos choram. Está assim em todo lugar. A ordem de seu atendimento também mudou: agora, antes de comer, executivos vão direto para a TV."."
O sistema capitalista em si, admite crises. Ela é necessária para a construção do conhecimento da ciência econômica, basta lembrar que os estudos de Keynes foram fruto do caos pós-29. Importantes reformas e aprimoramentos na economia advêm dessas crises. Não adianta culpar economistas por não terem feito nada até então, nem sequer terem previsto a possibilidade de crise. As crises se constroem no decorrer do capitalismo, são tão normais (e imprevisíveis) como momentos de euforia.

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